100 peregrinos estão desaparecidos no Nepal e no Tibete: entenda por que 'montanha proibida' atrai seguidores do hinduísmo
27/08/2026
(Foto: Reprodução) O Monte Kailash, com mais de 6 mil metros de altura, é considerado um lugar sagrado
QuartierLatin1968/Creative Commons
Entre os mais de 500 estrangeiros desaparecidos na avalanche que atingiu o Nepal e o Tibete na quarta-feira (24), a grande maioria é de indianos.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Boa parte deles estava na região para uma peregrinação religiosa que atrai milhares de seguidores do hinduísmo: a ida ao Monte Kailash, considerado a morada de Shiva e outros deuses da religião.
O Monte Kailash é uma montanha localizada no Tibete, a cerca de 100 km da fronteira entre a China e o Nepal. Seu pico fica 6.638 metros acima do nível do mar.
Apesar de ter havido tentativas de escalada nas décadas de 1920 e 1930, não há nenhum registro de chegada ao topo da montanha na história. A China, onde o Monte Kailash fica atualmente, proíbe qualquer tentativa de escalada, em respeito ao significado religioso do local.
Uma das rotas de peregrinação inclui a passagem pelo Nepal, em áreas afetadas pela avalanche. Os viajantes seguem até Rasuwa e cruzam a fronteira entre Nepal e China pelo posto de Rasuwagadhi. Do outro lado da fronteira fica a região de Gyirong de onde a viagem continua em direção ao Monte Kailash.
Nepal: região atingida por avalanche abriga rota turística
Ao "New York Times", um iogue indiano conhecido como Sadhguru afirmou que 77 integrantes de grupos organizados por sua fundação estavam no centro de imigração da fronteira entre Nepal e Tibete quando a inundação atingiu o local. Até o momento, ele ainda não conseguiu contato com o grupo.
As escrituras hinduístas associam o Kailash com diversos deuses. No épico Ramayana, que circula na Índia antiga desde o século V a.C., a montanha aparece como residência do deus Shiva, de sua mulher, Parvati, e de seus filhos, como Ganesha, o deus com cabeça de elefante.
Algumas tradições identificam o local com a nascente espiritual do rio Ganges e com o Monte Meru, o centro do universo.
Seguidores da religião fazem peregrinações à montanha e também ao lago Manasarovar, a cerca de 35 km do pé da montanha, também com conotações sagradas.
Imagem de drone mostra devastação em Trishuli, no Nepal, após avalanche de lama
Navesh Chitrakar/Reuters
Outras religiões
O Monte Kailash e o lago também são considerados sagrados para outras religiões: o budismo tibetano, o jainismo e a religião bon, culto praticado no Tibete.
Para os budistas, a montanha também é a manifestação física do Monte Meru, além de local de meditação de um antigo mestre chamado Milarepa, do século XI d.C. Já os seguidores do bon acreditam que o topo do monte é a morada de 360 deuses.
O jainismo, que é uma religião indiana centrada na não violência, acredita, por sua vez, que o monte Kailash é o local onde o primeiro dos 24 "salvadores" conseguiu se libertar do ciclo de mortes e reencarnações.
Infográfico mostra local da avalanche de lama no Nepal e no Tibete
Editoria de Arte/g1