Apagões, remédios escondidos e vídeos à venda: brasileiras são dopadas e vítimas de abuso por pessoas próximas

  • 03/08/2026
(Foto: Reprodução)
Mulheres brasileiras são dopadas e vítimas de abuso sexual por parte de pessoas bem próximas Um esquema internacional de abusos sexuais investigado pela Polícia Federal (PF) utilizava medicamentos controlados para dopar mulheres, deixá-las incapazes de reagir e, em seguida, cometer os crimes. Segundo a investigação, as cenas eram gravadas e posteriormente vendidas na internet e em aplicativos de mensagens. As apurações começaram após um alerta da Europol, agência da União Europeia para cooperação policial. A polícia alemã identificou inicialmente as atividades do grupo e constatou que ele atuava em pelo menos nove países, incluindo o Brasil. De acordo com a PF, um brasileiro suspeito de integrar a liderança do esquema teria elaborado uma espécie de manual sobre o uso das substâncias, orientando quais medicamentos deveriam ser ministrados às vítimas e quais provocariam efeitos mais intensos. O homem, preso em fevereiro, também é suspeito de abusar de pessoas da própria família. Foi a partir das mensagens trocadas por ele que os investigadores chegaram a outros brasileiros envolvidos. Uma das vítimas contou que não conseguia entender os apagões de memória que sofria após consumir pouca quantidade de álcool. "Eu perguntava para ele porque que eu tinha perdido a memória se eu tinha bebido tão pouco. Ele falava que não, que eu tinha bebido muito", relatou. Apagões e desconfiança Outra mulher afirmou que desconhecia completamente o uso de medicamentos controlados. "Eu não tinha conhecimento do uso de medicamentos controlados. Eu nunca vi esses medicamentos na minha casa", disse. De acordo com a Polícia Federal, as vítimas eram dopadas com remédios de prescrição controlada e, após perderem a capacidade de reação, tornavam-se alvo dos abusadores. As agressões eram registradas em vídeo e, depois, negociadas em sites na internet e aplicativos de mensagens. Rede internacional As investigações apontam que um brasileiro suspeito de integrar a liderança do grupo chegou a elaborar orientações sobre a utilização das substâncias. Segundo a PF, ele fornecia informações sobre quais medicamentos produziam efeitos mais intensos e como deveriam ser administrados às vítimas. O homem foi preso em fevereiro. A investigação começou após autoridades alemãs identificarem a atuação do grupo. A partir das apurações, foi constatado que a rede operava em nove países, incluindo o Brasil. Conversas sobre medicamentos As mensagens obtidas pelos investigadores mostram integrantes do grupo discutindo formas de dopar mulheres sem levantar suspeitas. Em uma das conversas, um dos participantes pergunta qual antidepressivo seria mais indicado para uma mulher que raramente consumia bebidas alcoólicas. Em outra, há orientações para triturar comprimidos e misturá-los em bebidas. Uma terceira vítima disse que suspeitava da presença dos medicamentos, mas acreditava na explicação dada pelo parceiro. "Eu sempre via calmantes nos pertences do meu namorado, mas ele afirmava que tinha dificuldade para dormir e que os medicamentos foram dados pela mãe", afirmou. Outra mulher relatou que sequer sabia que estava consumindo medicações junto com bebidas alcoólicas. "Eu não sabia que tomava bebida alcoólica com medicamentos controlados", disse. Confissão Nesta semana, o marido de uma das vítimas foi preso e confessou os crimes em depoimento à polícia. Segundo o relato registrado pelos investigadores, ele admitiu ter utilizado medicamentos para dopar a companheira. "Peguei quatro, triturei, misturei em um copo com água e dei para ela tomar", declarou. Vídeos comercializados As apurações também identificaram negociações envolvendo vídeos dos abusos. Em conversas analisadas pela PF, materiais eram oferecidos por valores a partir de R$ 59. Um dos suspeitos discutia a venda de vídeos e fotos das vítimas em aplicativos de mensagens e plataformas na internet. Investigação em andamento Até o momento, cinco homens foram identificados pela investigação. Quatro estão presos e um responde em liberdade. Os suspeitos são dos estados do Pará, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. A Polícia Federal afirma que ainda apura a participação de outros brasileiros ligados ao esquema internacional. Segundo os investigadores, uma das principais características dos casos é o fato de as vítimas serem atacadas por pessoas de confiança, muitas vezes dentro da própria casa, sem condições de perceber ou resistir às agressões. Mulheres brasileiras são dopadas e vítimas de abuso sexual por parte de pessoas bem próximas Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/08/03/mulheres-brasileiras-sao-dopadas-e-vitimas-de-abuso-sexual-por-parte-de-pessoas-bem-proximas.ghtml


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