China critica novas tarifas dos EUA e se aproxima do Brasil em meio à tensão comercial
27/07/2026
(Foto: Reprodução) Lula e Xi falam em acelerar tratativa de acordo China-Mercosul
O Ministério do Comércio da China afirmou nesta segunda-feira (27) que se opõe "firmemente" às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses sob a justificativa de combate ao trabalho forçado. Pequim classificou as medidas como "injustificadas" e pediu a retirada das taxas adicionais.
A manifestação ocorre após os EUA anunciarem tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais. Entre os atingidos estão a União Europeia, que recebeu a taxa de 10%, o Brasil e a China, ambos com uma alíquota de 12,5%.
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Segundo Washington, os países atingidos não adotaram medidas suficientes para restringir importações associadas ao trabalho degradante.
Pequim rejeitou a acusação e reagiu criticando o histórico dos próprios EUA na área trabalhista. O ministério afirmou que Washington voltou a recorrer à Seção 301 para justificar uma investigação comercial e impor tarifas unilaterais com base em acusações de trabalho forçado.
Em nota, o órgão classificou a medida como "um ato típico de unilateralismo e protecionismo" e afirmou que a China mantém uma ampla estrutura de leis trabalhistas.
O governo chinês também acusou os EUA de não terem ratificado a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930 e de utilizarem o tema de forma política.
Apesar de alertar que reserva o direito de "tomar todas as medidas necessárias", Pequim indicou disposição para manter o diálogo "baseado em respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo".
O ministério afirmou que os EUA haviam se comprometido, em negociações anteriores, a limitar eventuais tarifas adicionais a 20%.
Como a nova taxa aplicada à China ficou em 12,5%, Pequim indicou que ainda vê espaço para manter a trégua comercial e avançar nas conversas antes da possível visita do presidente Xi Jinping a Washington, prevista para setembro.
China também critica possível investigação dos EUA sobre inteligência artificial
Além das tarifas, a China criticou a possibilidade de os Estados Unidos abrirem uma investigação sobre o setor chinês de inteligência artificial.
Pequim acusou Washington de promover um "hegemonismo por IA" e de recorrer a medidas unilaterais para conter o avanço tecnológico chinês.
O governo também condenou o que chamou de "difamação" e ameaças de sanções contra empresas do setor.
O governo chinês afirmou que acompanhará os desdobramentos e prometeu adotar "todas as medidas necessárias" para proteger os direitos e interesses de suas empresas. A reação amplia a lista de atritos entre as duas maiores economias do mundo, que já disputam espaço em áreas como comércio, semicondutores e inteligência artificial.
Lula e Xi Jinping em encontro em 2025
Getty Images via BBC
Apoio ao Brasil em meio a pressões dos EUA
As críticas à política comercial e tecnológica dos EUA ocorrem em um momento de reforço dos laços diplomáticos e econômicos entre China e Brasil. Na noite de domingo (26), Xi Jinping conversou por telefone por mais de uma hora com o presidente Lula.
Na conversa, Xi afirmou a Lula que valoriza o status internacional do Brasil e garantiu suporte político ao país "na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial".
Pequim acrescentou que, "diante de novas circunstâncias e desafios", ambas as nações devem se posicionar "firmemente do lado certo da história".
Brasil e China aceleram discussão sobre acordo com o Mercosul
Em meio ao aumento das tensões comerciais com os EUA, especialistas avaliam que a diversificação de mercados se torna ainda mais estratégica para países exportadores como o Brasil.
A ampliação dos destinos das exportações reduz a dependência de um único parceiro comercial e ajuda a amortecer os impactos de tarifas e disputas geopolíticas sobre setores mais expostos ao mercado americano.
Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o governo brasileiro informou que a conversa tratou da "implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países", sem citar abertamente o pacote tarifário imposto pelo governo de Donald Trump.
Para mitigar a dependência e amortecer os impactos do protecionismo americano, os dois presidentes concordaram sobre a urgência de acelerar as negociações para a criação de um acordo comercial entre o Mercosul e a China, prevendo as flexibilidades necessárias para o bloco sul-americano.
*Com informações da Reuters