Estados Unidos dizem que atingiram 140 alvos militares do Irã no sábado; Teerã fecha Ormuz e ataca vizinhos

  • 12/07/2026
(Foto: Reprodução)
Imagens do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) divulgadas em 11 de julho de 2026 mostram ataques a alvos do Irã Reprodução / Twitter O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) declarou na noite de sábado (11) que as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram a terceira rodada de bombardeios contra o Irã nesta semana. A informação veio em comunicado publicado na rede social X. Segundo o Centcom, a ofensiva de sábado (11) atingiu aproximadamente 140 alvos militares iranianos. Os ataques de Washington ocorreram poucas horas após o Irã declarar o fechamento do estreito e ataques a bases dos EUA serem realizados em uma série de países no Golfo Pérsico. A resposta dos EUA mirou estruturas destruídas como bases de mísseis e drones, instalações navais, depósitos de munição, redes de comunicação e postos de vigilância costeira. A imprensa iraniana relatou explosões no sul do país, nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm e também na província do Khuzistão, na fronteira com o Iraque. Não houve relatos imediatos de vítimas. Agora no g1 Com a nova onda de bombardeios, as forças dos EUA já somam mais de 300 alvos atingidos no Irã ao longo de três noites de operações nesta semana. Escalada de tensão O Centcom afirmou que a retaliação de sábado foi uma resposta direta ao ataque contra um navio comercial no Estreito de Ormuz, que logo depois acabou tendo a navegação bloqueada. Teerã alegou ter disparado um "tiro de advertência" que atingiu um navio que navegava por uma rota não autorizada, e alertou que qualquer retaliação resultaria em uma "resposta severa". "Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais", declarou a Guarda Revolucionária. "Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida", acrescentou. Teerã quer que navios sigam apenas uma rota de navegação ao longo de sua costa e rejeita qualquer retorno à situação anterior à guerra, quando a passagem pelo Estreito de Ormuz era irrestrita, posição contestada pelos Estados Unidos. Os EUA identificaram a embarcação atingida como o M/V GFS Galaxy, um navio de contêineres com bandeira do Chipre. De acordo com os militares americanos, a embarcação sofreu danos significativos na sala de máquinas e um tripulante civil está desaparecido. Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, o ataque ocorreu a 9 milhas náuticas (cerca de 17 km) a leste da Península de Musandam, pertencente ao Sultanato de Omã, e provocou um incêndio a bordo, obrigando a tripulação a abandonar o navio em um bote salva-vidas. A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou em comunicado que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado "até novo aviso" e até que termine a "interferência dos Estados Unidos" na região. O comunicado acrescenta que, caso o "inimigo" utilize o incidente como pretexto para realizar qualquer ação militar, receberá uma "resposta severa". Ataques do Irã a países do Golfo Depois da ação no estreito e da resposta dos EUA, Teerã realizou disparos contra alvos em países vizinhos. Autoridades do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos relataram ataques aéreos. Sirenes de alerta soaram no Bahrein, enquanto jornalistas da AFP no Catar ouviram explosões e testemunharam interceptações nos céus ao sul da capital, Doha. Autoridades catarianas confirmaram a interceptação de mísseis. Em comunicado citado pela imprensa estatal, a Guarda Revolucionária afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA no Catar "em resposta aos ataques contínuos" dos Estados Unidos. A força militar ideológica da República Islâmica também reivindicou a autoria de um raro ataque ao vizinho Omã. Segundo a agência IRIB, o grupo declarou ter destruído bases de apoio logístico para porta-aviões americanos no porto de Duqm. A Jordânia, por sua vez, informou ter sido alvo de três mísseis iranianos. Negociações e ameaças contra Trump No sábado (11), Irã e Omã realizaram negociações sobre o tema, com a participação de uma delegação do Catar, outro país que atua como mediador. Segundo autoridades diplomáticas iranianas, "os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros", que "concordaram em continuar as discussões nos níveis político, técnico e jurídico para chegar a um consenso sobre a segurança da navegação no Estreito". Os Estados Unidos haviam realizado ataques contra o Irã na noite de terça para quarta-feira e novamente na noite seguinte, após responsabilizarem Teerã por ataques a navios comerciais. Em retaliação, o Irã atingiu alvos no Kuwait, no Bahrein e no Catar. Em 17 de junho, Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento acompanhado de um cessar-fogo, estabelecendo um prazo de 60 dias para encontrar uma solução definitiva para a guerra. Desde então, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou repetidamente que o cessar-fogo estava "encerrado" devido aos ataques iranianos contra navios, ao mesmo tempo em que autorizava a continuidade das negociações. Enquanto isso, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, alertou no sábado que a "vingança" era "inevitável" após o funeral de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, morto no início da guerra. Na sexta-feira, Donald Trump acusou o Irã de conspirar para assassiná-lo e voltou a prometer "dizimar e destruir completamente todas as regiões do Irã" caso o país tente fazê-lo.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/12/estados-unidos-atingiram-140-alvos-militares-do-ira.ghtml


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