EUA dizem que domínio nas Américas 'nunca mais será questionado' e citam prisão de Maduro como 'sinal'
11/08/2026
(Foto: Reprodução) EUA publicam vídeo sobre doutrina e falam em domínio sobre as Américas
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira (11) um vídeo em que afirma que o domínio do país em toda a América "nunca mais será questionado". A publicação apresenta um histórico da Doutrina Monroe, estratégia usada pelos EUA para influenciar o continente.
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A publicação foi feita em um momento em que os EUA têm demonstrado apoio à direita na América Latina. Trump, por exemplo, apoiou aliados de Javier Milei nas eleições legislativas da Argentina de 2025, além de Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia neste ano.
No vídeo desta terça-feira, o Departamento de Estado citou a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, como o exemplo mais recente da aplicação da doutrina norte-americana no continente.
Segundo a gravação, a ação dos EUA enviou um "forte sinal a todo o hemisfério". Maduro foi levado para território norte-americano para responder a acusações de narcoterrorismo e está preso em uma penitenciária de Nova York.
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"A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado", diz a legenda da publicação.
A publicação apresenta a captura de Maduro como parte de uma política aplicada desde o século 19 e criada pelo então presidente James Monroe.
🔎 A Doutrina Monroe prevê "a América para os americanos", segundo a qual qualquer tentativa de "recolonização" por outros países seria vista como ameaça direta aos EUA.
Segundo o Departamento de Estado, o que começou como um alerta à Europa evoluiu para uma política de domínio regional. O vídeo afirma ainda que a doutrina continua sendo atualmente a "pedra angular" da estratégia dos EUA no hemisfério.
Ditaduras ignoradas
Ao contar a história da doutrina, o Departamento de Estado passa por diferentes episódios da atuação americana na América Latina.
Um dos casos citados é o do Panamá. O vídeo afirma que, em 1903, os Estados Unidos apoiaram a independência panamenha da Colômbia e conseguiram um acordo para construir, operar e defender o Canal do Panamá.
O vídeo também cita a crise dos mísseis de Cuba, em 1962. Segundo a publicação, o então presidente John F. Kennedy recorreu à Doutrina Monroe após a descoberta de mísseis soviéticos na ilha.
O histórico apresentado pelo Departamento de Estado, no entanto, deixa de fora intervenções americanas na América Latina que contribuíram para levar diversos países da região a regimes ditatoriais no século 20.
Estratégia de política externa
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante um evento para assinar uma ordem executiva sobre flexibilidade na vacinação em 10 de agosto de 2026
Kylie Cooper/Reuters
Em dezembro de 2025, a Casa Branca divulgou um documento para traçar a nova Estratégia de Política Externa. Nele, o governo Trump indicou que passaria a focar mais na América Latina.
Segundo a estratégia, os Estados Unidos vão passar a reajustar a presença militar em outros países para enfrentar "ameaças urgentes" no Hemisfério Ocidental. Os objetivos estariam ligados a questões de segurança nacional.
O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais:
ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas;
reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos;
estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região.
A estratégia diz ainda que os EUA buscam "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental', com uma "retomada poderosa" da influência sobre a região. O foco seria o combate ao avanço chinês pela região.
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