Irã ataca países do Golfo após nova ofensiva dos EUA e amplia tensão na região
12/07/2026
(Foto: Reprodução) Troca de ameaças entre Irã e Estados Unidos ganha força neste sábado (11)
O Irã atacou alvos ligados aos Estados Unidos em três países do Golfo Pérsico neste domingo (12) após sofrer uma nova ofensiva contra seu território.
Em comunicado, além de anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou:
ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, aliado dos EUA
atacado um radar americano no Kuwait
atacado plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões americanos em Omã
destruído um centro de manutenção de jatos e uma instalação de comando no Catar
Autoridades dos Emirados Árabes Unidos disseram que seus sistemas de defesa interceptaram mísseis e drones provenientes do Irã, mas depois confirmaram que as ameaças detectadas estavam fora das fronteiras do país. Sirenes de alerta soaram no Bahrein.
O governo do Catar confirmou a interceptação de mísseis e informou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços provenientes do ataque. Também condenou os ataques de Teerã aos países vizinhos, classificando-os como uma "grave escalada que complica os esforços para conter as tensões na região".
Segundo a agência de notícias estatal da Jordânia, três mísseis disparados de território iraniano causaram danos materiais leves e nenhuma vítima.
Ataques ocorrem após ação dos EUA e tensão em Ormuz
Imagem divulgada pelas Forças Armadas dos EUA mostra míssil sendo disparado em ataque contra o Irã
Comando Central dos EUA/Divulgação via REUTERS
Os ataques representam uma escalada acentuada da tensão na região.
Neste sábado (11), o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas afirmaram ter atingido 140 alvos militares iranianos, de um total de mais de 300 durante três noites de ataques, "para prejudicar a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais que transitam livremente pelo estreito".
"O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço", escreveu o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, na rede social X.
A mídia estatal iraniana noticiou explosões no sul do país, nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm, e também na província do Khuzistão, na fronteira com o Iraque. Não houve relatos imediatos de vítimas.
De acordo com as agências de notícias Mehr e Tasnim, citando uma autoridade local, a ofensiva dos EUA matou um soldado:
"O tenente Hamidreza Dehghani, da Marinha das Forças Armadas da República Islâmica, foi martirizado durante o ataque terrorista criminoso realizado ontem à noite pelos Estados Unidos ao porto de Jask".
Após esses bombardeios, o Irã afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz e ter disparado tiros de advertência contra embarcações.
"Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida", declarou a Guarda Revolucionária, acrescentando: "O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar".
Neste domingo, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, o ataque ocorreu a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, pertencente a Omã, e provocou um incêndio a bordo, obrigando a tripulação a abandonar o navio em um bote salva-vidas.
Segundo comunicado das autoridades de Omã, 23 membros da tripulação do navio GFS Galaxy foram resgatados, mas a busca por um tripulante desaparecido continua.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador no conflito, pediu que ambos os lados para "exercerem moderação".
Negociações
Antes dos ataques iranianos aos países vizinhos, no sábado, Irã e Omã realizaram negociações sobre a guerra e a navegação em Ormuz, com a participação de uma delegação do Catar, outro país que atua como mediador.
Autoridades diplomáticas iranianas declararam "os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros", que "concordaram em continuar as discussões nos níveis político, técnico e jurídico para chegar a um consenso sobre a segurança da navegação no Estreito".
Apesar das conversas, as vias diplomáticas não parecem estar sendo muito efetivas. Em 17 de junho, Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento acompanhado de um cessar-fogo, estabelecendo um prazo de 60 dias para encontrar uma solução definitiva para a guerra.
No entanto, desde quarta-feira passada (8), o presidente dos EUA, Donald Trump, vem falando repetidamente que o acordo "acabou".
Um dia antes, no dia 7 de junho, os EUA bombardearam vários alvos no Irã após acusarem Teerã de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz.
A tensão ficou ainda maior quando, neste sábado (11), após o fim do funeral de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, morto pelos EUA e Israel no início da guerra - em que iranianos pediram a morte de Trump em cartazes -, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que a "vingança" era "inevitável".
Na sexta, após notícias sobre um suposto plano iraniano para assassiná-lo, o presidente norte-americano acusou o Irã de conspiração e voltou a prometer "dizimar e destruir completamente todas as regiões" do país caso o regime tente matá-lo.