‘Isso aqui não é um parque de diversão’: os brasileiros que deixaram o país para lutar na guerra da Ucrânia
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Os brasileiros que deixaram o país para lutar na guerra da Ucrânia
A guerra que começou em território ucraniano também levou brasileiros para o campo de batalha. Alguns deixaram o país em busca de uma experiência militar, outros foram atraídos pela possibilidade de receber um salário e há ainda aqueles que dizem ter ido para ajudar a Ucrânia no conflito contra a Rússia.
‘Você fica um pouco com medo’
A reportagem encontrou um grupo de brasileiros que atua junto às Forças Armadas ucranianas. Alguns não tinham experiência militar antes de chegar ao país. Eles contam que o ambiente do front é hostil e que o medo faz parte da rotina.
“Só de você estar num ambiente hostil, você fica um pouco com medo, receoso. Mas você vai acostumando”, contou um dos brasileiros entrevistados.
O grupo também afirma que a remuneração é um dos fatores considerados por quem decide lutar na Ucrânia. Um dos soldados disse receber cerca de R$ 6 mil por mês, dependendo da cotação.
‘Isso aqui não é um parque de diversão’: os brasileiros que deixaram o país para lutar na guerra da Ucrânia
Reprodução/TV Globo
‘Isso aqui não é um parque de diversão’
Mas a realidade encontrada pelos brasileiros no front é muito diferente da imagem de uma aventura militar. Um dos combatentes alerta que muitos jovens chegam ao país sem entender o que realmente significa estar em uma guerra.
“Tem muitos jovens que vêm para cá com a ilusão, achando que isso aqui é um parque de diversão. Eu acho que as pessoas assistem muito filme, jogam muitos jogos de tiro e acham que aqui é a mesma coisa. Mas não é. É totalmente diferente”, afirmou.
‘Isso aqui não é um parque de diversão’: os brasileiros que deixaram o país para lutar na guerra da Ucrânia
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Mais de 20 cirurgias
Entre os brasileiros que passaram pelo campo de batalha está Juliano. Ele foi para a Ucrânia no ano passado, passou seis meses no país e participou de três missões em Kharkiv. Em uma delas, sofreu ferimentos graves e precisou amputar um braço e uma perna.
Ao todo, foram mais de 20 cirurgias. Hoje, ele se recupera em um hospital militar em Lviv, onde são atendidos veteranos e civis feridos durante o conflito.
Mesmo depois de tudo o que aconteceu, Juliano diz que acredita que sua atuação teve um propósito.
“Dos drones que eu derrubei, salvei alguns soldados, então valeu a pena”, contou.
Juliano foi para a Ucrânia no ano passado, sofreu ferimentos graves e precisou amputar um braço e uma perna.
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Para algumas famílias, a guerra terminou
Para outras famílias brasileiras, porém, a guerra terminou de forma diferente.
Segundo o Itamaraty, 38 brasileiros morreram na guerra da Ucrânia e outros 96 estão desaparecidos. Entre eles está Welisson, jovem de 21 anos que deixou o Brasil depois de iniciar uma carreira militar e decidiu lutar ao lado das forças ucranianas.
Colegas disseram que ele morreu durante o conflito, mas seu corpo não foi resgatado.
Um ano depois da morte do filho, a mãe dele, Helem Matos, viajou à Ucrânia para fazer uma homenagem e realizar um funeral simbólico. Diante do memorial de soldados mortos em Kiev, ela tentou encerrar um ciclo marcado pela ausência.
“Hoje o corpo do meu filho está jogado naquele lugar onde ele tombou e nunca vai ser resgatado. Hoje vou fazer uma homenagem lá no memorial, um funeral simbólico. Preciso fechar esse ciclo para eu poder viver o meu luto”, disse.
Um ano depois da morte do filho, mãe viajou à Ucrânia para fazer uma homenagem e realizar um funeral simbólico.
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No memorial, entre retratos de soldados ucranianos, estão também imagens de brasileiros mortos na guerra. A presença deles revela uma dimensão do conflito que ultrapassa as fronteiras da Ucrânia e chega diretamente às famílias brasileiras.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Jornalistas no Front: o trabalho da imprensa na guerra da Ucrânia
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