Líbano aprova lei de anistia geral para presos e procurados

  • 12/08/2026
(Foto: Reprodução)
Um retrato do presidente sírio Bashar al-Assad, com a moldura quebrada, é mostrado em uma instalação do Departamento de Segurança Política nos arredores de Hama, após a captura da área por forças antigovernamentais em dezembro de 2024. OMAR HAJ KADOUR/AFP O Parlamento libanês aprovou, nesta quarta-feira (12), uma ampla lei de anistia geral que beneficiará milhares de presos e pessoas procuradas pela Justiça, a primeira deste tipo desde 1991, após o fim da guerra civil. O presidente do Parlamento anunciou "a aprovação do projeto de lei que concede anistia geral e reduz, em caráter excepcional (...), a duração de determinadas penas". Nesta terça-feira (11), um tribunal da Síria condenou, ex-ditador deposto Bashar al-Assad e seu irmão mais novo à pena de morte por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos da guerra civil no país, que deixou cerca de 500 mil mortos. A medida, apoiada por vários grupos políticos, polariza o debate há anos. As autoridades ainda não informaram quantas pessoas serão beneficiadas. Os deputados que promoveram a lei justificaram a medida pela superlotação dos presídios, em um contexto de lentidão crônica dos processos judiciais. LEIA TAMBÉM: Por que o ex-ditador sírio Bashar al-Assad foi condenado à morte — e o que acontece agora Agora no g1 Segundo o relatório anual da Comissão Nacional de Direitos Humanos, a taxa de superlotação chegou a 300% em 2025. A administração penitenciária contabilizava 6.268 detentos no fim de março. Imad al Hout, um dos deputados mais atuantes sobre o tema, afirmou que a lei permitirá reduzir as penas de condenados à morte e à prisão perpétua para cerca de dez anos de prisão efetiva. A legislação também prevê a libertação de presos que estão há mais de 12 anos encarcerados à espera de sentença. A questão da anistia voltou ao debate após a queda do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, no fim de 2024, já que muitos presos islamistas no Líbano foram detidos por fatos relacionados à guerra civil síria. A maioria é originária de Trípoli, grande cidade de maioria sunita no norte do país, e alguns são acusados de ataques contra o Exército e atentados a bomba. Paralelamente, outras forças políticas, entre elas o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, vêm reivindicando anistia para suas comunidades. Alguns partidos cristãos pediram anistia para ex-integrantes do Exército do Sul do Líbano (ESL), antiga milícia aliada de Israel que atuou a partir da década de 1980 na região fronteiriça do sul, então sob ocupação israelense, e para moradores que fugiram para Israel após a retirada israelense do Líbano. Após o fim da guerra civil (1975-1990), foi aprovada uma lei de anistia para crimes políticos cometidos durante o conflito, mas a medida não foi acompanhada por um processo de reconciliação nem de justiça para as vítimas.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/12/libano-aprova-lei-de-anistia-geral-para-presos-e-procurados.ghtml


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