ONU aprova mudança do mapa-múndi para corrigir distorções que fazem continentes parecerem menores; VEJA COMPARAÇÕES
04/09/2026
(Foto: Reprodução) Mapa aprovado pela ONU para representar com melhor proporção a diferença de área entre os países.
Reproduçãio/equal-earth.com
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira (4), por 164 votos a favor, uma resolução que busca mudar a forma como o mundo é representado nos mapas.
❌ Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a proposta.
O texto incentiva a adoção de uma projeção cartográfica que reduza as distorções entre as dimensões dos continentes.
A iniciativa foi batizada de "Corrija o mapa" e tem apoio da União Africana.
🔎 Veja abaixo como a Groenlândia, próxima ao Polo Norte, diminui de tamanho na nova projeção:
Comparação entre a Projeção de Mercator (esquerda) e o novo mapa aprovado pela ONU (direita) mostra a diferença na proporção de terras mais próximas aos pólos: a Groenlândia é uma das maiores representações.
Reprodução/equal-earth.com
🔎 Veja também como a África, cuja maior parte do território fica na região intertropical, fica maior na nova projeção:
À esquerda, a África no mapa Mercator e à direita, o continente no novo mapa aprovado pela ONU
Reprodução
O alvo principal é a chamada projeção de Mercator, criada no século 16 para facilitar a navegação marítima. O modelo continua sendo usado em materiais educacionais, mapas digitais, meios de comunicação e documentos oficiais.
O problema está na forma como ela representa o tamanho das regiões do planeta.
🗺️Na projeção de Mercator, áreas próximas aos polos aparecem visualmente maiores do que são na realidade. Ao mesmo tempo, regiões próximas à linha do Equador ficam proporcionalmente menores.
Na prática, isso faz com que continentes como a África e a América Latina pareçam menores em relação a regiões do Norte da Europa e da América do Norte.
À esquerda, o antigo mapa com tamanho dos países distorcido. À direita, o novo mapa com o tamanho real dos países
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Novo mapa aprovado pela ONU: em azul escuro, o real tamanho dos países; em azul claro, como eram no mapa anterior.
Reprodução
Por que isso importa?
A resolução aprovada pela ONU argumenta que mapas não são apenas ferramentas para localizar países e continentes. Eles também ajudam a formar a maneira como as pessoas enxergam o mundo.
Segundo o texto, as distorções podem ter efeitos cognitivos, educacionais, culturais e até geopolíticos. A proposta afirma que a permanência dessas representações pode perpetuar uma visão desequilibrada entre diferentes regiões.
A resolução defende, por isso, uma representação mais próxima das dimensões reais das massas de terra.
🔎Veja uma comparação das proporções feita pelo Ministério do Interior da França. O país está começando a usar o mapa Eckert IV, com escala semelhante à do projeto 'Corrija o mapa':
Comparação entre o mapa Mercator e a nova proporção aprovada pela ONU
Reprodução / Ministério do Interior da França
O mapa que quer mostrar a África em tamanho mais próximo do real
A alternativa apoiada pela iniciativa é o modelo chamado "Terra Igual", adotado pela União Africana.
A projeção procura preservar melhor as proporções entre os continentes e dar uma representação mais próxima das áreas reais das diferentes regiões do planeta.
A aprovação da ONU, porém, não significa que o mapa-múndi de Mercator será imediatamente abandonado. A resolução incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a considerar modelos mais precisos.
Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores de Togo, Robert Dussey, país que lidera a iniciativa, afirmou que a decisão representa uma defesa da "verdade científica".
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Para ele, a discussão vai além da cartografia: trata também da maneira como diferentes povos e territórios são percebidos.
A resolução relaciona ainda a iniciativa ao Pacto para o Futuro, aprovado pelos países-membros da ONU em 2024, que prevê ações para enfrentar desigualdades históricas e estruturais.