Resultado oficial do 2º turno da Colômbia é quase idêntico à contagem inicial que deu vitória a Espriella, diz órgão eleitoral

  • 23/06/2026
(Foto: Reprodução)
Abelardo de la Espriella vence as eleições presidenciais na Colômbia, aponta apuração preliminar O Registrador Nacional da Colômbia informou, nesta terça-feira (23), que a contagem final dos votos da disputa presidencial do fim de semana divergiu em apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração inicial. Isso significa que não existe divergência significativa entre a contagem inicial, que havia apontado a vitória do candidato de direita Abelardo De La Espriella, e a apuração oficial dos votos, segundo o órgão eleitoral colombiano (leia mais abaixo). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Na apuração inicial, De La Espriella liderava a disputa com uma vantagem inferior a 1% sobre o esquerdista Iván Cepeda, tendo obtido 49,6% dos votos. Cepeda havia declarado que aguardaria a verificação final da contagem pelas autoridades eleitorais antes de reconhecer o resultado. Ele havia indicado também que pediria recontagem devido à diferença mínima de votos. ➡️ O escrutínio é parte do processo de apuração dos votos em eleições na Colômbia. Nessa etapa, o Conselho Nacional Eleitoral — principal autoridade eleitoral do país — checa a contagem dos votos feita após o fechamento das urnas. E é realizado em sessões com a presença de representantes e advogados dos partidos concorrentes, além do Ministério Público do país. As sessões do escrutínio também checam inconsistências ou pedidos de recontagem de votos que não tenham sido resolvidos na primeira etapa da apuração dos votos, chamada de "pré-contagem". Só depois disso, o resultado oficial é então proclamado. 👉 A apuração preliminar dos votos na Colômbia apontou que o advogado e empresário de direita Abelardo de la Espriella venceu o pleito por uma margem apertada. Segundo a apuração Espriella tinha 12.959.542 votos, contra 12.708.712 angariados por Iván Cepeda. Historicamente, segundo a imprensa colombiana, a diferença de votos entre a pré-contagem e o escrutínio dos votos é mínima e, caso ocorra, não costuma ser representativa. O escrutínio começou nesta manhã, e o CNE disse que o processo deve ser concluído entre esta terça e quinta-feira (25). Pedido de impugnação O esquerdista Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia, vota no 2º turno das eleições presidenciais, em Bogotá, na Colômbia, em 21 de junho de 2026. Sergio Acero/ Reuters O candidato esquerdista à presidência na Colômbia, Iván Cepeda, anunciou que seu partido pedirá a impugnação de 33 mil mesas eleitorais, após a apuração inicial indicar vitória de seu adversário, Abelardo de la Espriella nas eleições do país. ➡️ A Colômbia voltou às urnas no domingo (21) para o 2º turno das eleições presidenciais, disputado por Cepeda e Espriella. Até a última atualização desta reportagem, 99,99% das urnas haviam sido apuradas, e a contagem inicial indicou a vitória de Espriella. Segundo Cepeda, juristas que atuaram como observadores de seu partido em diferentes seções eleitorais encontraram erros em 33 mil mesas — na Colômbia, cada mesa eleitoral pode ter até 300 votos. A contagem inicial aponta uma diferença de cerca de 250 mil votos entre os dois candidatos. "Nossos advogados e advogadas estão procedendo para impugnar 33 mil mesas em todo o país", declarou Cepeda durante pronunciamento após o resultado preliminar indicando a vitória de seu adversário. 👉 Na Colômbia, a impugnação de votos ocorre quando há suspeitas de erros técnicos ou irregularidades na votação ou apuração dos votos. Os partidos que concorrem podem solicitar a impugnação durante a fase de apuração. Uma comissão da Justiça eleitoral analisa então o pedido e, caso o aceite, reconta as urnas das mesas indicadas no processo de impugnação. No discurso após os resultados preliminares, Cepeda disse ainda que reconhece a apuração inicial, mas que aguarda a contagem total e o processo de impugnação. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também disse que é preciso esperar o resultado final. A imprensa local espera que a apuração dos votos seja concluída ainda nesta segunda-feira. Apuração preliminar Mapa mostra número de votos de candidatos no 2º turno das eleições na Colômbia, em 21 de junho de 2026. arte/g1 Ainda na fase da pré-contagem, Espriella celebrou a vitória vestido com a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. "Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante", afirmou. Já Cepeda fez um pronunciamento a apoiadores e afirmou que não trata o resultado como oficial e que vai aguardar o escrutínio. "Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado." Nas redes sociais, o presidente Gustavo Petro afirmou que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio. "Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir", escreveu Petro. O triunfo do direitista Espriella representa uma guinada no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. Candidato de direita Abelardo De La Espriella gesticula entre apoiadores durante 2º turno das eleições presidenciais da Colômbia em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026. REUTERS/Jair Coll O empresário fez campanha com um discurso antissistema e propostas linha-dura na segurança inspiradas no governo de El Salvador, do presidente Nayib Bukele. De la Espriella defende uma ofensiva militar contra grupos armados e narcotraficantes e a construção de megapresídios. Conhecido pelo apelido de "El Tigre", o advogado também prometeu retirar a Colômbia de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo ele, essas instituições servem para promover "políticas de esquerda". O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou mais uma vitória da direita na região. "O leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança e já não há volta atrás", postou em uma rede social. Veja a repercussão. Como novo presidente da Colômbia, Espriella se juntará a outros líderes de direita eleitos recentemente na América Latina, entre eles Jorge Kast, no Chile, e Rodrigo Paz, na Bolívia. No Peru, a apuração se arrasta por duas semanas, e a também direitista Keiko Fujimori está à frente. Quem é Abelardo de la Espriella Advogado e empresário sem experiência política, De la Espriella apresenta-se como um "salvador antissistema" e promete um corte radical de gastos. Ele é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Trump. Admirador das políticas adotadas por Trump e Bukele, promete uma ofensiva militar contra o crime e a construção de 10 megaprisões. "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou. Pesquisas de opinião apontam a violência como principal preocupação entre colombianos, à frente da economia, fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. Ao contrário de Cepeda, ele não acredita que o problema das guerrilhas remanescentes e grupos armados que atuam no país será resolvido por meio do diálogo. O empresário também culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e promete reduzir o tamanho do Estado em 40% e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado. Ao mesmo tempo em que adota um discurso linha-dura, o direitista mantém um site chamado "De la Espriella Style", em que vende bebidas alcoólicas, livros, músicas nas quais canta e até roupas em que aparece como garoto-propaganda. De la Espriella também se envolveu em polêmicas. Em uma entrevista na TV, gabou-se do tamanho do órgão genital e afirmou que isso o ajudava a conquistar votos. O advogado também foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos EUA de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio. De la Espriella afirma que a relação profissional com Saab começou antes das acusações surgirem. Segundo ele, os dois deixaram de trabalhar juntos há seis anos.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/23/resultado-oficial-do-2o-turno-da-colombia-e-quase-identico-a-contagem-inicial-que-deu-vitoria-a-espriella-diz-orgao-eleitoral.ghtml


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