Tarifaço de Trump: veja as medidas do governo para tentar conter impacto das tarifas

  • 22/07/2026
(Foto: Reprodução)
Presidente do STF diz que Brasil é soberano e não crê em ação militar dos EUA Para minimizar os efeitos da nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo criou um conjunto de medidas que inclui linhas de crédito, garantias para exportadores, benefícios tributários e ações para ampliar a abertura de novos mercados. Nesta quarta-feira (22), foi anunciada a liberação de mais R$ 18,5 bilhões em rédito para empresas afetadas. Dentro do Plano Brasil Soberano, este já é o terceiro anúncio e recebe o nome de Brasil Soberano 3. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mesmo com uma ampla lista de exceções, o governo calcula que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras foram afetadas pelo tarifaço. Elas representam aproximadamente 18% das exportações do Brasil para os EUA e movimentaram, juntas, US$ 7,4 bilhões (R$ 37,5 bilhões) em vendas ao mercado americano em 2024. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 74% delas já exportam para outros países, o que pode facilitar o redirecionamento das vendas para novos mercados. Entre os setores mais afetados estão madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Brasil Soberano concentra principal pacote de apoio A principal iniciativa é o Plano Brasil Soberano, programa criado pelo governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas americanas. A medida prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a encontrar novos mercados. O auxílio foi estruturado em três etapas. A primeira foi lançada em agosto de 2025, quando o governo criou o programa e autorizou o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para apoiar empresas afetadas pelo primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A segunda etapa começou em março deste ano, com a abertura de uma nova rodada de financiamentos. O programa tinha um limite de R$ 21 bilhões em crédito. Até o encerramento do prazo, nesta quarta-feira (22), empresas protocolaram R$ 19,5 bilhões em 667 pedidos. Como R$ 1,5 bilhão não foi utilizado, o valor retorna ao Tesouro Nacional. Coincidentemente, no mesmo dia em que se encerrou a segunda etapa, o governo anunciou a terceira. O Brasil Soberano 3 conta com um teto de R$ 18,5 bilhões, destinados a empresas afetadas pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio Desse total, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados do Brasil Soberano 1 e de renegociações de dívidas rurais, e R$ 5 bilhões serão aportados pelo BNDES. Ministro diz que Brasil vai usar reciprocidade quando for necessário: 'Precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo' Os três planos do governo Os recursos podem ser usados para: capital de giro, ajudando empresas a manter suas operações enquanto reorganizam vendas; compra de máquinas e investimentos produtivos; adaptação de produtos e processos para novos mercados; inovação tecnológica; fortalecimento de fornecedores ligados às cadeias exportadoras. Os beneficiários também precisam assumir compromissos relacionados à manutenção ou ampliação de empregos. A demanda pelo montante já supera o volume inicialmente disponibilizado - os pedidos de financiamento já somam R$ 18,2 bilhões. O BNDES aprovou até agora R$ 8,3 bilhões em operações. As inscrições para o Brasil Soberano 3 ainda não estão abertas. Conheça outras medidas que podem ajudar sua empresa Lula assina Brasil Soberano III Reprodução 1. Seguro de Crédito à Exportação Outra frente de apoio é o fortalecimento do Seguro de Crédito à Exportação (SCE). Criado em 1999, diferentemente de uma linha de financiamento, o mecanismo funciona como uma proteção contra riscos de uma operação internacional. Ele foi ampliado em março deste ano, com a MP nº 1.345/2026, que passou a permitir o uso do SCE para novas modalidades de crédito, especialmente voltadas às micro, pequenas e médias empresas, e integrou o instrumento ao Plano Brasil Soberano. Depois, no mês passado, o Gecex regulamentou essas mudanças por meio da Resolução nº 916. Na prática, o seguro ajuda a cobrir possíveis perdas caso um comprador estrangeiro deixe de pagar ou ocorram problemas que impeçam a conclusão do negócio, como restrições políticas ou eventos extraordinários. Com isso, bancos e instituições financeiras ficam mais seguros para conceder crédito aos exportadores. ⏳Quando foi aplicado: em 1999 e reformulado em 2026; 📄​Para que serve: é um seguro que protege operações de crédito ligadas às exportações; 💵​Quanto dinheiro envolve: o SCE não tem um orçamento próprio anunciado, ele é lastreado pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Lula discursa durante assinatura do Brasil Soberano III Reprodução 2. Programa de Financiamento às Exportações O Programa de Financiamento às Exportações (Proex) surgiu em 1991 e oferece financiamento para exportações brasileiras em condições semelhantes às praticadas internacionalmente, ajudando empresas a competir com fornecedores de outros países. Atualmente, é regulamentado pela Lei nº 10.184/2001 e operado pelo Banco do Brasil com recursos do Tesouro Nacional. Enquanto o SCE funciona como uma garantia contra riscos, o Proex atua diretamente no financiamento da venda externa. Na prática, ele ajuda empresas brasileiras a venderem para o exterior oferecendo crédito mais barato ou reduzindo o custo do financiamento da operação e conta com duas modalidades. O Proex Financiamento, em que o Tesouro Nacional empresta diretamente recursos ao exportador brasileiro ou ao comprador estrangeiro; e o Proex Equalização, em que o financiamento é concedido por um banco e o governo paga parte dos juros para que o custo fique semelhante ao praticado por concorrentes internacionais. ⏳Quando foi aplicado: em 1991; 📄​Para que serve: oferece financiamento para exportações brasileiras de bens e serviços em condições competitivas no mercado internacional; 💵​Quanto dinheiro envolve: o Proex não tem um valor único. Todos os anos, ele recebe recursos previstos na Lei Orçamentária. Para este ano, foram destinados R$ 2,2 bilhões para o Proex Financiamento e R$ 1,28 bilhão para o Proex Equalização. 3. Drawback O drawback também não foi criado em resposta ao tarifaço. Trata-se de um regime aduaneiro especial existente há décadas, usado para reduzir o custo de produção de empresas que exportam. O mecanismo permite suspender ou eliminar determinados impostos sobre matérias-primas e insumos usados na fabricação de produtos exportados. O que o governo fez após as tarifas dos Estados Unidos foi prorrogar prazos do regime para empresas afetadas por mais um ano, dando mais tempo para que cumpram seus compromissos de exportação. O recurso foi instituído pelo Decreto-Lei nº 37, de 1966, e atualmente é regulamentado pela legislação aduaneira e por normas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). É administrado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Há três modalidades de drawback, a suspensão (consiste na suspensão de tributos), a isenção (isenta ou reduz os tributos) e a restituição (restitui os tributos pagos na importação de insumo e utilizado no bem exportado). Donald Trump anuncia tarifas. AFP ⏳Quando foi aplicado: em 1966; 📄​Para que serve: reduzir o custo de produção de empresas exportadoras ao suspender ou eliminar tributos sobre matérias-primas e insumos utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado externo; 💵​Quanto dinheiro envolve: o drawback não possui um orçamento próprio, o mecanismo funciona por meio da suspensão, isenção ou restituição de tributos, e não pela liberação de recursos financeiros às empresas. Lei de Reciprocidade dá instrumento para eventual resposta comercial Além das medidas de apoio às empresas, o governo também passou a contar com a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso. O mecanismo permite que o Brasil adote medidas equivalentes quando sofrer restrições consideradas injustificadas de outros países. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o instrumento não representa uma retaliação automática, mas uma ferramenta que poderá ser utilizada caso seja considerada necessária. Tarifaço: Brasil avalia estratégias para evitar 'tiro no pé' em reciprocidade contra EUA

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/22/tarifaco-de-trump-veja-as-medidas-do-governo-para-tentar-conter-impacto-das-tarifas.ghtml


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